“Em meu segundo livro, “No chão da escola: por uma infância que voa“, reflito sobre a educação como relação, sobre o processo de aprendizado da criança e sobre o papel potente de educadoras e educadores nessa caminhada. Proponho que o ensino e a escola podem ser um espaço e um tempo mais leve, mais propositivo e sensível. Em 17 capítulos, de leitura rápida e leve, falo sobre quem escolhe, se é a escola ou a família, por que é bom entrar para a escola, as fases do desenvolvimento, a sala de aula como cenário de ideias, sobre rotina, adaptação, afeto e confiança, a hora de perguntar, refletir e festejar datas comemorativas.”
DESCONTO VÁLIDO ATÉ 23.04.23
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Não sei meu CEPTítulo: No chão da escola: por uma infância que voa
Escritor: Marcelo Cunha Bueno
Ilustradores: Renato Moriconi (capa) e João Vitor Lage (miolo)
Design: Adriana Campos
Editora: Passarinho
Páginas: 120
Acabamento: brochura
Formato: 13,5 x 20,5 cm
Texto de apresentação: Severino Antônio
Neste breve texto, dialogo com algumas das ideias matrizes de Marcelo Cunha Bueno, compondo uma pequena constelação com passagens de seu texto.
Este livro, No chão da escola: por uma infância que voa, pertence à linhagem da educação moderna e contemporânea que reitera a singularidade e a inteireza de cada criança, nas duas dimensões da interação educativa, inscritas etimologicamente: conduzir a criança, orientá-la em seu caminhar na sociedade, na cultura, na história; despertar, extrair, desenvolver de dentro para fora potencialidades humanas. O reconhecimento da singularidade e da inteireza é primordial – na escola e na vida.
Imaginem um lugar onde a infância pudesse habitar e ser habitada pelo mundo… Pudesse ser sua criadora e a própria criação. Um lugar onde as coisas ganham sentido pela mágica da existência. Um lugar repleto de olhares, formas, gestos, cores, sentires, texturas, jogos, abraços… Afeto! Bem, é para esse lugar que eu me imagino indo todos os dias e a cada dia que entro em uma escola.
Assim, essa concepção considera o afeto, a pergunta, a imaginação, a autoria, o brincar como dimensões fundamentais do desenvolvimento humano, das experiências de criação do conhecimento, dentro e fora das salas de aula.
A infância como tempo de invenções. Inventar significa ser autor, ter autoria, ser dono de seu próprio saber, falar com suas palavras, expor suas ideias de forma independente.
Somos marcados por mapas afetivos para sempre. Quem não se lembra de ser afetado por um professor? (…) O afeto está na preparação da aula. Nas escolhas do professor. Na voz, no toque, nos pequenos gestos. No silêncio. O afeto está na forma de avaliação. Afeto que se importa em ajudar. Em pensar novos caminhos. O afeto está no olhar, nos espaços da sala de aula.
A escola, de tanto responder, esqueceu-se de ensinar a fazer perguntas.
As crianças precisam da liberdade do brincar para crescer em harmonia com a vida.
Como educação humanista, considera essas experiências de criação do conhecimento inseparáveis da alegria de aprender, de pensar, de sentir, de descobrir e contar o mundo – junto com os outros. Dessa maneira, enfatiza a importância do convívio entre as crianças e os educadores, das crianças com elas mesmas, e delas com a natureza.
Tudo é aprendizado para o que se entrega à infância. Aprendemos com os sons, com a música, com o silêncio, com o toque, com palavras de afeto, com limites. Miudeza é aquele tempo que destinamos para contemplar o céu, o pôr do sol, o crescer de nossos filhos. Miudeza é o tempo que a criança destina para observar uma formiguinha, para colocar uma folhinha na água corrente e vê-la descer rua abaixo.
Sabe aquele tempo que a criança passa “horas” observando o caminho das formigas, fica falando sozinha com seus brinquedos, faz profundas pesquisas com as mãos nos alimentos, senta-se no nosso colo e se entrega totalmente ao afeto? Esse tempo, que está entre o “querermos que dure para sempre” e o “todo o tempo do mundo no agora”, é o que chamo de tempo poético. O tempo poético é o tempo da criação, é o tempo que nos faz quem somos.
Nessa concepção, a escola é uma travessia de encontros humanos, espaço-tempo de compartilhar vozes, histórias, indagações, saberes, sonhos – essas substâncias de que somos feitos.
Sou professor. Desde sempre. Para sempre. Assim, no chão da escola, aprendi a voar. Aprendi a amar o que faço e o que penso. Sendo professor, aprendi a ser gente. Com cada criança que passou em minha vida e ficou no coração, aprendi o sentido de eternidade. Sou cada criança, cada quintal, cada grão de areia, cada roda, cada canção que contornaram meus dias até aqui. Educar, para mim, é agradecer. Agradeço.
Os já leitores de Marcelo Cunha Bueno, do seu Sopa de pai, continuarão a desfrutar de suas palavras, suas ideias, suas narrativas, seus amores, a que os novos leitores serão apresentados agora, nessa bela edição da Editora Passarinho, com a presença de Renato Moriconi, João Vitor Lage, Adriana Campos e, naturalmente, Renato Coelho Passarinho.
Severino Antônio