A poética da infância: conversas com quem educa as crianças

Como escutar criadoramente as crianças? Como acolher e preservar sua inteligência, sua sensibilidade, sua imaginação? Escrita em linguagem simples e poética, com leveza e profundidade, o livro “A Poética da Infância: conversas com quem educa as crianças” (Editora Passarinho), dos escritores Severino Antônio e Katia Tavares, traz reflexões, exemplos e sugestões para aprimorar nossa escuta e nossos diálogos com as crianças, a partir do reconhecimento de dimensões primordiais da infância: animismo, empatia, pensar por imagens, perguntas, histórias, brincar livremente, vivência com a natureza e poesia.

O livro também inspira os leitores a se reconectarem com suas próprias infâncias e traz ilustrações a bico de pena de Alexandre Camanho, ilustrador premiado e projeto gráfico cuidadoso de Adriana Campos, da Dorotéia Design. A carta da Casa Diálogos: viagens pedagógicas, a apresentação de Carlos Abranches e o posfácio de Marcelo Cunha Bueno reforçam a importância do livro.

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Título: A poética da infância: conversas com quem educa as crianças
Escritores: Severino Antônio & Katia Tavares
Ilustrador: Alexandre Camanho
Designer: Adriana Campos / Dorotéia Design
Editora: Passarinho
Páginas: 120
Acabamento: brochura
Formato: 13,5 x 20,5 cm
Carta da Casa Diálogos: viagens pedagógicas: Fabiane Vitiello e Telma Holanda
Apresentação de Carlos Abranches
Posfácio e 4ª capa: Marcelo Cunha Bueno

 

Estava tudo pronto para o começo da aula de cantar. Eu e meu violão, mais algumas flautas. A música, uma singela canção a expressar a delicadeza da relação do homem com a natureza.

À minha frente, cerca de quinze crianças, na faixa etária de 6 a 8 anos. Todas muito interessadas em mostrar que estavam aprendendo o que lhes fora ensinado. Uma canção inteira as esperava…

Comecei a tocar em uma tonalidade que logo notei não ter sido a mais adequada aos alcances sonoros daquele grupo. Falei assim:

– Pessoal, vou cantar num tom que vai ficar bom pra todo mundo, ok?

Cecília, a mais nova, perguntou:

-O que é “tom”?

Rapidamente, Rafaela, menina falante e atenta, levantou a mão e disse:

-Eu sei.

Perguntei: – o que é, então?

Ela respondeu:

-Isso é o que minha mãe fala pra mim, de vez em quando lá em casa: “não fala comigo nesse tom, menina!”

Cantar, declamar, brincar, traduzir a vida em diálogos singelos e profundamente filosóficos! Alguém me responde o tamanho do quanto a gente consegue aprender, quando se dedica a cultivar alguns minutos de semeadura existencial com uma criança?

Alguém sabe o que é possível transformar no mundo quando aprendemos a acessar a nossa criança interior, depositária de tantas vivências, diretamente da caixinha secreta da memória afetiva?

Este livro de Severino Antônio e Katia Tavares tem a capacidade de nos afinar no mesmo tom, em somatória respeitável e dinâmica com os múltiplos alinhamentos da vida, a mergulhar, de forma sonora e cristalina, no além dentro de nossa ponte, rumo à saborosa e fértil intimidade das crianças.

Sugiro que façamos todos juntos essa viagem, em direção ao mundo dos encontros humanos profundos. E para a coisa ficar saborosa, lembremo-nos de levar os docinhos da infância, os brinquedos que um dia ganhamos da tia, o carrinho de rolimã que vimos nosso pai construir, enquanto ficávamos ali, ouvindo as histórias que brotavam dos lábios dele…

Este é um livro de fazer pontes… daquelas que levam a muitos jardins. É só passar por elas que a gente descobre do que é capaz, quando se deixa acreditar que é possível brincar e ouvir, cantar e compor, pedir e aprender.

 Termino aqui esta breve apresentação, até porque minha pequena filha Valentina acaba de chegar ao quarto com um convite desafiador:

-Pai, você quer brincar comigo?

-Óbvio, filha, vamos brincar…

Carlos Abranches

(jornalista, filósofo, educador e músico. Autor de sete livros, três deles de poesia. Conheceu Severino Antônio durante uma entrevista para a TV, em que convidou o educador para falar sobre uma nova visão poética da educação e do conhecimento.  Katia chegou depois, durante um curso que os dois deram em Lorena, SP. Após um encantamento mútuo, eis os três aqui, atravessando a ponte rumo ao para sempre…)

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